2018 · bleh

2018

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Ilustração @illustrated.doris

“We can choose serenity in the midst of struggle. In the calmness we began to understand that peace is not the opposite of challenge and hardship. We understand that the presence of light is not the result of darkness ending. Peace is found not in the presence challenge but in our own capacity to be with hardship without judgent, prejudice and resistance.” – Bell Hooks

Não importa o que aconteceu: esse ano eu vivi em paz. Tive noites mal dormidas por estar ansiosa por várias coisas, mas ao todo eu estive em paz. Acredito que eu esteja aprendendo a aceitar as turbulências e não me sentir responsável demais por tudo a minha volta. Me deixei sumir de mim e em mim. E isso foi a melhor coisa que eu fiz.

Esse ano foi grande. Eu não me apeguei a nenhuma meta e vivi. Vivi muito. Tudo foi muito maior do que meus planos.

Esse ano eu vivi sozinha. Me afastei de tudo da minha cidade natal e vivi como se eu não tivesse sofrido o que sofri ou fugido do que eu fugi. E isso foi uma das melhores coisas que eu fiz. Me descobri competente para viver, se é que isso faz algum sentido.

Esse ano eu viajei. Estourei meu cartão algumas vezes; mas viajei. E sou muito grata por isso. Ano que vem eu quero mais; descobri que eu posso chegar em qualquer lugar e que ficarei bem. Estou aprendendo a ser um ser inteiro sozinho e viajar me mostrou várias partes de mim que eu não conhecia e quero descobrir. Eu me sinto livre quando viajo sozinha e quero sentir isso sempre.

Além de me sentir livre, me senti crescer. Sinto isso faz um tempo, mas foi diferente. Foi um crescimento de capacidade. Eu chorei ouvindo blues no meu quarto e pulei de felicidade no meio de uma multidão de desconhecidos, em uma cidade quase desconhecida, enquanto uma banda aleatória tocava rock ao vivo. Eu ouvi tudo e me deixei mover. Me deixei ser liquida, eu precisava.

Esse ano eu amei meus amigos como nunca. Descobri diferentes tipos de amizade e sou grata por cada uma delas. Me descobri ainda mais estranha e me sinto confortável com esse título. Não me chamo de estranha pra ser diferentona, mas porque me sinto assim e me senti por muito tempo…descobri que essa minha habilidade de estar no AM enquanto todos parecem estar no FM é ok. Tudo bem, acho que todo mundo deve se sentir assim em algum momento.

Este ano eu passei no mestrado. Eu me mudei pra outra cidade pra estudar e trabalhar, e depois de um ano eu passei no mestrado. Eu quero deixar registrado aqui que eu apenas fiquei surpresa como tudo aconteceu naturalmente. Eu me esforcei o máximo que eu pude e respirei fundo. Passei. Eu p-a-s-s-e-i. Agora tudo está mais “encaminhado”, como dizem.

Agora tudo não está totalmente claro. Passei por muita coisa mas não estou mais tão certa do futuro. Quando eu era mais nova eu tinha certeza que se seguisse meus planos, tudo daria certo. Hoje eu não tenho mais tanta certeza. E de alguma forma, estou em paz com isso. Quem sabe daqui 5 anos estarei morando em algum país aleatório servindo café em uma cafeteria ao lado de um livraria que eu pra vou ler todo dia? Nunca se sabe.

“Maybe we were meant to meet but not to be”. Brevemente, essa frase foi muito importante para mim nessa segunda parte de 2018. Às vezes tudo é muito turvo mas verdadeiro e no final a gente se separa. E não precisa ser algo ruim.

Adeus 2018, obrigada por tudo.

Que venha 2019.

beibi

I never gave you everything I wish I could

Eu tenho mania de me procurar na Arte. Me encontro constantemente em coisas que não imaginava. Essa música me cativou de cara e eu não prestei devida atenção na letra. Só depois de escutar umas 2 vezes eu percebi a razão dela ter me cativado. Ela fala de mim, ela me explica coisas que senti e eu não sabia. Ou coisas que eu não admitia.

Onde nascem os sentimentos? Como eles são cultivados? Eu não sei. Eu achei que sabia. Eu achei que podia controlar e ser “esperta”. Não me envolver demais e manter leve e descontraído. Mas eu não sou leve e não estava muito descontraída quando percebi a importância de você. A importância de deixar ser importante. Eu deixei ser importante. Eu deixei crescer e fiquei feliz em me deixar dar importância, sabe? Eu nunca dei importância pra muita coisa pois aprendi desde pequena que as coisas passam e eu sempre terei a mim. Eu sempre me bastei.

E…onde os sentimentos morrem? Eu sempre achei que eles nunca acabavam. Ao menos parecia que não ia acabar. Eu nunca deixei minha luz acesa pois eu achava que estava sendo iluminada pela luz do seu quarto. De longe mesmo, de alguma forma. Mas eu não estava; sua luz estava apagada e você não devia nem estar em casa. E a minha casa , que achei que estava no escuro… estava toda acesa, iluminada, só pra você ver. Só pra você enxergar quem eu sou. Mas infelizmente a gente só vê o que achamos interessante durante o tempo que estamos entretidos. Mas quando os reflexos não chegam mais, a gente se vê no escuro. Onde a luz não bate e a gente não vê nada. Nenhuma curva de coisa alguma. E assim, o interesse acaba?

Eu me protegi, pois eu sempre estive emocionalmente cansada. Nunca quis preocupar ninguém com isso. Sempre achei que ninguém tem que me entender. Mas eu sempre quis te entender, enquanto me coloquei em uma posição menos importante. Isso foi escolha minha, mas parece que você nunca viu. Eu não sei. Eu não sei o que você viu, o que você entendeu muito menos o valor que você deu pra tudo. Eu não sei se quero saber. Acredito que tudo poderia ter sido mais do que foi. Não sei se faz sentido, mas é o que sinto. Senti.

Agora eu tenho um jardim florido que achei que tinha plantado pra alguém. Mas eu mesma quis plantar tudo. Coloquei flor até em copos, colheres e sapatos. Eu achei que essas flores eram pra alguém. Mas não eram, elas sempre estiveram aqui, sempre tiveram seu espaço. Eu só nunca parei pra reparar. Nunca me permiti ver as flores. Eu acendi a luz achando que era pra alguém me ver, mas na verdade a pessoa que eu vejo no reflexo sou eu. Não tem ninguém na janela… nunca teve. A luz é pra mim. Foi tudo pra mim. Foi tudo de mim. Eu criei tudo ou aconteceu por um momento e depois foi embora? Eu não sei.

Eu sempre criei meu mundo. Se alguém veio, viu e quando a luz se apagou foi embora… tudo bem. Eu sempre tenho a mim no fim do dia. Quando tudo está escuro e silencioso, se a gente escutar com cuidado, muita coisa é dita. Quando imagens não são vistas e só sobra quem somos, só fica quem quer.

Eu sou grande, confusa e cheia de vontade de ir. Tenho vontades enormes e também grandes desinteresses no meio do dia. Eu gosto de falar de tudo e de nada. Talvez sou idiota em alguns momentos e séria demais em outros. Eu sou tudo, e nada. Gosto de ficar acordada falando da vida e suas delicadezas e de dormir sem sonhar com nada. Sou muita coisa, tanta coisa que nem sei. Exagerada e incoerente. Sou movida por experiencia e inspiração. Prezo muito pela sinceridade. Essa sou eu sem a luz. Talvez eu não seja mais tão interessante se a luz está apagada. Meus reflexos vão além. O escuro me esclareceu muita coisa. Silêncio.

…onde não queres nada, nada falta.

 

meus

Sobre estar mal

Eu vi essa abertura de “Dançando no Escuro” um tempo atrás, salvei aqui como “sobre estar mal” e nunca mais abri. Hoje eu lembrei disso e vi novamente.

Me lembro que eu nunca me permiti ficar mal. Não me permiti ficar mal quando me senti abandonada nem quando não passei no vestibular. Eu achava que ficar mal era perda de tempo. Hoje vejo como me permitir sentir me deu novas cores e novas formas. Novas possibilidades.

Este post é só pra me lembrar que tudo bem ficar mal. Tudo bem, eu aguento.

2018

Pensativa, logo escrevo

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Quando eu era pequena eu tinha um plano e achava que iria seguir-lo. Mal sabia eu que esse plano iria mudar tanto e que eu o deixaria de lado no final.

Eu não calculei que eu iria mudar e que tal Débora do Futuro que eu criei quando pequena não faria mais sentido depois que eu passasse dos 20 e tantos. Ainda bem, pois a gente muda, e muda muito rápido. Às vezes a gente nem repara que mudou ou o que não é mais prioridade. Às vezes as coisas só deixam de ser e está tudo bem.

Eu sempre fui de falar muito, falar de “tudo”, falar com todo mundo. Eu tinha tudo separado na minha cabeça. Minha mente era como um quebra-cabeça montadinho, só faltando umas peças que eu encontraria conforme eu fosse seguindo a vida. Eu já tinha A Débora formada na minha mente, eu só tinha que passar por algumas experiências que achava necessárias para chegar “lá”. Acontece que alguns lugares em que visitei me mudaram e levaram algumas das minhas peças…e eu as deixei, não insisti. Outros lugares me deram peças que não se encaixaram no quebra-cabeça, mas eu as guardei.

Aos poucos eu fui percebendo que algumas peças não encaixavam tão bem mais e eu as tirei do lugar, o que me fez desmontar o quebra-cabeça inteiro. Isso me deu paz, conhecer os meus pedaços e as peças que eu ainda não tinha encontrado. Essa busca pelas partes de mim que eu ainda não conhecia me deixava…empolgada! Agora as possibilidades são tantas!

Hoje não me vejo como um quebra-cabeça, pois eu não sei mais qual imagem eu quero que seja construída. Talvez minhas peças sejam um jogo de lego, uma mesa ou de um banco imobiliário. Hoje eu apenas sei quais peças não se encaixam mais e eu as vou deixando pelo caminho, agradecida por elas me formarem inteira um tempo atrás.

Eu já não falo mais com tanta certeza das coisas, pois sei que talvez virando a próxima esquina eu encontre uma ideia diferente de mim e aprenda com ela. E o novo é lindo e libertador. O desconhecido não me assusta tanto. Eu apenas abraço as incertezas e ando. Viro as ruas e carrego minhas pequenas certezas no bolso.

meus · textos

Sensibilidade e Fragilidade

brain2Hoje eu li em um livro que o ser humano, diferentemente dos animais, nasce inacabado. Os animais já nascem com pré disposições e alguns deles já conseguem andar horas depois de nascerem. Os seres humanos não. Nós, seres humanos, aprendemos a andar  um ano depois de nascer, vivemos e vamos fazendo ligações nos cérebro conforme as coisas vão acontecendo. Depois de um tempo, algumas ligações são “desativadas” quando percebemos que aquilo não foi muito usado.

Tudo isso pra dizer que o ser humano se adapta. Tanto fisicamente, quanto emocionalmente.

Eu nunca tinha pensado na diferença entre sensibilidade e fragilidade a não ser umas semanas atrás. Foi um momento de click, era isso. Eu sempre me identifiquei como uma pessoa sensível, que sentisse as coisas e expressasse compaixão. Porém nada frágil, nada passa por mim pois sou quase inteirinha de ferro. Boba eu. Como eu disse antes, o ser humano se adapta e muda com muita facilidade.

O tempo passa e eu me vi frágil. O que me assustou, pois “fragilidade” está muito próximo de “fraqueza” e eu não me vejo como uma pessoa fraca, certo? Apenas sensível. Mas se formos pensar em tudo que já vivi, já estava em tempo de tudo começar a me afetar. Porém quando as coisas vêem, elas vêem de uma vez. Você tem que fechar os olhos, respirar fundo, pegar o mochila e ir trabalhar. E daí você vai lidando com tudo aos pouquinhos e entendendo seus reais valores. O valor de se sentir frágil e querer trabalhar para ser forte; de se sentir no meio do mundo inteiro, e só ouvindo o barulho dos carros lá fora, pensando em como acomodar esses novos sentimentos e pensamentos dentro de si. Eu ainda não sei quais deles ficarão, mas acredito que com o tempo eu os descartarei, conforme for percebendo que eu os conheci, mas não preciso tê-los sempre comigo.

E então, aquela ligaçãozinha do meu cérebro fora ativada com sucesso. Fragilidade. O que desencadeou? Não sei, e não acredito que um dia saberei. Talvez o tempo? Então aprendi que eu não estou pronta, eu não sou soldada a nenhum padrão de coisa alguma e que estou inacabada. E isso é bom. Estou aprendendo a lidar com a fragilidade e não deixar que ela tome conta de mim.

Boa sorte para mim.

2018 · meus

A diferença entre sonhar e acontecer

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Em 2017 eu coloquei algumas trocas de roupa numa mala, peguei uns livros que considerava essenciais e parti. Chorei quase o caminho todo, o que me deixou confusa; eu estava realizando aquele sonho de criança, porquê chorar? Porém, naquele dia entendi o quanto estava deixando pra trás, e a cada momento eu chorava por alguma coisa que lembrei que iria perder. Os últimos dias da minha cachorrinha que estava comigo desde a quarta série, ir almoçar na casa da minha avó quando desse vontade, ir comer lanche com meus amigos naquele lugar barato, andar pela cidade e saber que tinha casas de tios e amigos de infância espalhada por ela inteira…Durante as duas horas eu fiz uma lista mental de tudo o que deixei pra trás que eu ainda não tinha me dado conta.

Mas quando eu desci em Londrina, cheguei a conclusão de que eu tinha sonhado por tanto tempo, que esqueci que quando a gente segue os nossos sonhos, deixamos pra trás tudo o que construímos e partimos pro desconhecido. É tudo novo, tem que começar tudo do zero.

Os dias foram passando e com a nova rotina e novo trabalho, fui me lembrando o quão show de bola é esse sentimento de começar tudo novo. Tudo pode acontecer. E então eu comecei a registrar tudo, tirei foto de tudo. É natural isso pra mim, registrar tudo e depois mandar pra minha mãe por whatsapp. Dava um sentimento de não estar sozinha. Mas eu estava sozinha e eu não estava acostumada com isso.

Sempre gostei de fazer as coisas sozinha, fazer cursos sozinha, caminhar sozinha etc. Mas quando eu voltava pra casa sempre tinha alguém lá, ou algum tio por perto. E na nova cidade eu não tinha nada disso. Acabei perdendo as contas de quantos domingos de noite eu ensaiei pedir um uber pra rodoviária. Mas eu não o fiz, pois eu tinha novas responsabilidades e eu queria estar aqui. Só não queria sentir as perdas.

Mas acontece que os dias passam rápido demais pra você conseguir absorver tudo o que acontece e você se sente perdida, porém feliz, porém com vontade de voltar pro conhecido. Mas você luta com esse sentimento pois quer crescer e experienciar o novo. Mesmo que agora você não tenha nenhuma foto pra lembrar de tudo, pois você foi assaltada e todas os registros dos seus primeiros meses se foram, você continua, cada dia de cada vez. E vai ficando mais fácil. Você aprende o nome das ruas principais da cidade, descobre quais ônibus vão pra sua casa, acha um lugar bom pra comprar comida naquele dia que não estava afim de cozinhar e as coisas vão se encaixando. Você aprende a viver uma nova versão de você mesma. E mesmo tendo esse sentimento de que tudo está de ponta cabeça, você apenas respira fundo e acredita que um dia tudo fará sentido. Você entende que tudo vai ficar bem. E se nada der certo, a gente sempre dá um jeito. Mas acima de tudo: vai ficar tudo bem.

Jornada · vida

Ano novo, chances novas!

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Todo ano que começa a gente tem aquela empolgação de um novo começo, né?

Em 2016 eu viajei sozinha pela primeira vez. E eu não poderia ter amado mais! Esse ano minha meta mais geral é viajar. Não sei como realizarei esse plano, mas eu sempre acreditei que se você tem um sonho e se esforçar bastante, você vai realizá-lo!

Em 2016 eu me permiti ser uma bagunça. Tive todas as crises possíveis e me permiti sentir. Me senti perdida, comum, estranha e inconstante. E está tudo bem. No meio dessa bagunça toda eu me descobri…humana. Durante anos eu segurei as rédeas e guardava todos os meus sentimentos em algum lugar e os esquecia. 2016 foi o ano de encará-los e questioná-los. Sou muito mais consciente do meu emocional e agora eu sei até onde eu consigo suportar. Eu acho.

No finalzinho do ano eu me candidatei pro meu primeiro emprego e eu tinha certeza que eu não ia conseguir. Ele não era muito concorrido, eu só tinha certeza que eu iria estragar a chance de alguma forma mesmo. Mas no final eu consegui o emprego e pela primeira vez na vida eu me permiti me sentir orgulhosa de mim mesma. O que eu incrivelmente não senti nem quando passei no vestibular.

Enfim.

2017 ainda é um borrão, mas eu tenho esperança de que vai ser um ano incrível apenas por ser uma chance nova pra gente tentar acertar. Tenho certeza que vamos errar muito, mas a vida é assim mesmo. Entre erros e acertos, a gente continua vivendo.

Boa sorte pra gente!